Bruxelas, 16 fev (Lusa) - As empresas portuguesas interessadas em entrar no circuito europeu podem agora recorrer aos serviços da Eupportunity, que presta serviços de consultoria em assuntos europeu e quer aproveitar o "efeito Barroso".
"Bruxelas é o novo Terreiro do Paço, é preciso estar cá", diz à Lusa Henrique Burnay, que lançou a Eupportunity em sociedade com o ex-eurodeputado do CDS-PP Luís Queiró e está à frente do escritório de Bruxelas.
Aos interessados, a Eupportunity, com sede em Portugal, oferece serviços de "intelligence", análise política, aconselhamento estratégico e apoio à candidatura a fundos comunitários.
Burnay, que foi consultor político no Parlamento Europeu, assegura que a sua actividade não se resume ao lóbi, que, considera, "tem mau nome em Portugal".
"As empresas e entidades portuguesas estão tão longe de Bruxelas que aquilo que tem de ser feito é também um pouco anterior ao lóbi, é colocá-las no circuito europeu", sustenta.
Por outro lado, há que mostrar Portugal em Bruxelas: "Portugal já não é um país médio e pobre da UE. Estatisticamente, e não só, crescemos e enriquecemos. Temos mais peso, mais possibilidades de influenciar".
Henrique Burnay destaca ainda a importância de José Manuel Durão Barroso ser o presidente da Comissão Europeia e o que chama "o efeito Barroso", que tornou os temas europeus mais próximos dos portugueses e fez com que haja actualmente mais portugueses em lugares relevantes em Bruxelas.
"Parte deste efeito desaparecerá daqui a cinco anos, portanto, há que aproveitar", avisa.
"Somos uma antena em Bruxelas, uma oportunidade", sublinha.
Uma das vertentes do trabalho da Eupportunity é "a importantíssima questão dos fundos".
Com o alargamento da UE, Portugal vai receber cada vez menos verbas dos fundos estruturais.
Henrique Burnay destaca, no entanto, que "há fundos comunitários que não estamos a saber aproveitar".
"Na área da investigação, no Sétimo Programa Quadro, mas também na inovação, na área das energias... mas trata-se de um tipo de fundos completamente diferente do que estamos habituados", exemplifica.
As candidaturas a estas verbas implicam construir parcerias, criar novos projetos, e concorrer sem a certeza de ganhar.
"Tudo razões que explicam a nossa fraca taxa de sucesso e a necessidade de ter o apoio de especialistas - e nós temo-los - para construir essas candidaturas", remata.
Os seus clientes proveem maioritariamente dos sectores da saúde, tecnologias da informação e comunicação, mercado interno, sector automóvel e energia.
"Em alguns casos trata-se de apoiar candidaturas a fundos comunitários, noutros de colocar empresas portuguesas no circuito europeu", diz.
IG
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico*** |